Entrevista com Paulo Stocker

Sou morador do centro de São Paulo há pelo menos dois anos. E aqui é Gothan City, meu chapa. Com cantos bonitos bem escondidos e a feiura de uma grande cidade bem exposta. Entre uma esquina e outra, aqui na Rua Augusta (famosa pela vida noturna e por coisas que não cabem dizer aqui neste blog de respeito) é possível se deparar com algumas surpresas, ou no caso deste post, refrescos.

clovisaugustaSe você frequenta a área boêmia do centro, com certeza já se deparou com Clovis estampado nos muros, galerias e até restaurantes. Os quadrinhos contando as aventuras de Clovis se destacam entre as pixações e outras artes de rua e dão um ar mais doce a paisagem. Seu criador, o quadrinista Paulo Stocker, teve a gentileza de falar comigo pelo facebook.

 

Segue na íntegra.

Pedro Ivo – Stocker, posso bolar uma entrevista contigo para publicar no 3v14?

Paulo Stocker – A hora que quiser. Pode começar. Hahahaha!

Pedro Ivo – Vendo aqui as tirinhas do Clovis… Bom, ele é seu alter-ego?

Paulo Stocker – Sim. É meu nome de batismo. Me chamo Clovis Paulo Stocker. É meu clow.

Pedro Ivo – Hah! E como ele nasceu?

Paulo Stocker – Nasceu depois de uns dois anos que eu tinha feito um curso de clow, palhaço. Mas aí descobri que meu clow era gráfico. Estudei a pantomima de Chaplin e Buster Keaton… É isso. Descobri que meu clow era gráfico.

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Pedro Ivo – E você já trabalhava com quadrinhos? Melhor, faz um resumo da sua carreira até os muros da Rua Augusta.

Paulo Stocker – Já ilustrei várias revistas, incluindo a Caros Amigos. Fiz um tempo o Ed Mosca, na extinta Carícia. Recentemente, tenho feito a revista Tulípio, com o Eduardo Rodrigues. Ganhamos o Hq mix em 2009. Pubicamos em vários jornais e revistas, temos animações do Boêmio em mais de 200 botecos. Também tinha uma tira chamada, Concreto Armado, em que a cidade era a protagonista. E um blog de rascunhos dos lugares que passava na grande metrópole que foi matéria da Tv Cultura em um dos aniversários da cidade. Ah, e fiz uma página no “São Paulo Total Guide”, que é um guia alternativo de Sampa, vendido em New York, e mais um milhão de coisas na vida. Criei um festival de teatro, tive banda de rock. Cine clube, etc…

Pedro Ivo – Uau! Dá-lhe coisa. Essa relação do quadrinista com outras ramificações artísticas parece um processo natural. A gente vê aí Mutarelli, você… Toda minha experiência como ator, por exemplo, foi fundamental na minha formação como desenhista. Consegue enxergar pontos de convergência entre os gêneros?

Paulo Stocker – Sim. Acho que as outras artes tendem a enriquecer o resultado daquela que você escolheu seguir. Gosto de bons atores. Sou amigo de caras como Fabio Expósito, Eduardo Chagas, Eduardo Estrela, Nelsinho (Nelson Peres). Todos atores fudidos de bom. Mas nossa amizade é uma mistura de admiração e respeito. Não tem interesse nenhum, além da própria amizade. O que vejo por ai é uma multiplicação de panelinhas, nos grandes jornais, no cinema. Você não escolhe a pessoa pelo talento, e sim pelo vínculo. Uma bela merda, é o que é.

Pedro Ivo – É possível driblar isso, essas panelas, e ainda ser notado pelo mercado?

Paulo Stocker – Eu tenho sido. Meu trabalho é respeitado. Você perde só a parte podre da maçã. E isso definitivamente não me interessa.

Pedro Ivo – Já fez algum trampo que ferisse sua “dignidade” artística? Ou filosofia…

Paulo Stocker – Vários. E ainda devo fazer outros. É preciso pagar as contas.

Pedro Ivo – O mercado é duro e inescapável, né?

Paulo Stocker – A César o que é de César.

Pedro Ivo – Pra fechar: Você disse que Clovis é seu alter-ego, seu clow. O que ele tem de você e o que não tem? (ou vice-e-versa)

Paulo Stocker – Ele tem tudo de mim, tudo o que eu escondo. A começar pelo nome, Clovis. Tinha vergonha dele, e isso é engraçado, creio. Depois, essa coisa de se atrapalhar, de ser romântico, sensível… Tento esconder esse meu lado mais lúdico, ou lírico. Porém, no Clovis funciona. As pessoas se identificam com ele. Tenho fãs em vários países. França, Argentina, Birmãnia, mundo árabe, EUA, israel etc…

Pedro Ivo – Heh! Não é divertido quando um personagem seu chega a lugares que você mesmo nunca foi?

Paulo Stocker – Pois é. É sublime! Principalmente na França, onde o público é culto. Ao contrário desse analfabetismo plástico que existe por aqui.

Pedro Ivo – Aliás, é você mesmo quem cola os cartazes nas ruas?

Paulo Stocker – Sim. Eu e minha filha que fica vigiando pro caso da polícia aparecer.

Pedro Ivo – Velho, parabéns pelo seu trabalho. Espero ver mais das trapalhadas de Clovis nas ruas. É uma delícia. E obrigadão por contribuir pro 3v14.

Paulo Stocker – Foi um prazer. Eu é que te agradeço por ajudar a divulgar meu trabalho. Abraço forte.

Paulo Stocker divulga todo seu trabalho no seu perfil do facebook, e aqui vai mais um tira-gosto de Clovis.

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