Entrevista concedida ao evento Foco Femina!

Pedro Ivo
Foto por Ariama Aldore.

Pedro Ivo Barbosa é ator, desenhista, roteirista, Diretor de Arte e Arte Educador e é um dos artistas convidados a compor o projeto do evento Foco Femina…

Como você define a sua arte?
Taí uma perguntinha danada. Não gosto de fazer o espectador/leitor pensar demais. Meu objetivo é justamente o oposto. Acho que já temos muito no que pensar na vida. Precisamos de refresco, risos. Por isso, evito um número grande de subjetividades e mistérios. Em geral, sou muito preciso no que eu quero dizer, mas é claro que deixo escapar certos signos ou coisinhas subliminares ao tema principal.

Que espécie de argumentos você explora quando está “construindo ou descontruindo” através da sua arte?
Em geral, procuro dualidade em tudo. Bem e mal. Preto e branco. Homem e mulher. Gosto de tudo que tem seu oposto bem definido. Quanto maior a luz, maior a sombra. Isso é sempre um tema recorrente que abordo.

O seu olhar por aí costuma captar o que?
Tudo o que é vivo. Tudo mesmo. A barata saindo do bueiro, o pardal que faz um rasante e pega a barata, o metrô às seis da tarde. As pessoas em geral se afastam de qualquer coisa que se mova e seja diferente. Eu prefiro ficar perto. Existe informação em tudo que se mexe por vontade própria.

Como você “chegou” ao evento Foco Femina?
Me acharam e ainda não sei como. (Risos)

Qual é o principal desafio por trás da proposta do evento?
Bem, o universo feminino por si só é um desafio para qualquer homem. Nada que se refira a mulher pode ser generalizado ou estudado com precisão. O maior desafio da obra que estou preparando é dar o tom exato dos versos. E isso está mais no tipo de traço do que na temática.

Como está sendo a “construção” de sua arte para o Foco Femina?
Estou elaborando com calma. Como disse, o traçado tem que acompanhar a intenção.

Existe realmente uma poesia apenas feminina?
Hmn… Complicado, hein? Salvo inúmeras particularidades que diferem os gêneros, somos humanos e o que dói na mulher, em geral, dói no homem. A questão está em como a dor (ou outro sentimento) é filtrada entre os gêneros. O que quero dizer é: Ainda que seja uma poesia feminina, ela será humana, também. E eu sou humano.

Que cenário você descobre a partir da poesia de Foco Femina?
Em alguns momentos, me vejo descendo em um escorregador de lâminas e caindo numa piscina de álcool. Noutros, respiro o ar puro de uma fazenda sei lá onde. Perdido, mas querendo me perder. Doendo e querendo doer.

Qual dos poemas chamou mais sua atenção?
Gosto particularmente deste verso:

“Quero fechar meus olhos
e me despir das vontades
Todas!”

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