O Futebol é Gay.

O futebol é gay!

Por Pedro Ivo

Domingo passado, dia 26, saí para almoçar com minha namorada. Domingo típico, com futiba rolando nos principais canais de tv, quilos de toicinho sendo fritos e uma penca de gente se aglomerando em churrascos. São Paulo descansa assim, aos domingos, só com futebol.

Enquanto comia, observava as pessoas ao redor olhando atentamente os televisores do restaurante. As mesas rodeadas de amigos, chapas, camaradas e suas cervejas bem geladas suando sobre as bolachas da mesa. Alguns traziam suas meninas, mas estas ficavam nas pontas, ao redor, formando uma camada protetora de mãozinhas nos ombros e sorrisos diplomáticos. Não no miolo, entre dos caras, que trocavam soquinhos, ofensas carinhosas e risadas altas enquanto viam e analisavam o desempenho de seus jogadores favoritos.

E foi num desses momentos de quase-gol, onde um marmanjo se levantou derrubando tudo na mesa com a pança e soltou um orgástico “Uuuhhhh!!!”, que cheguei ao derradeiro insight. Tá preparado?

O futebol é gay.

Muito gay. Gay demais. Até as tentativas de transformar o futebol em um evento hétero são as mais gays possíveis. E não há problema nenhum nisso, não. Mas, que é gay, é. E longe de mim ser preconceituoso. Meus amigos gays concordam.

Vamos aos fatos:

Domingo. Churrasco. Futebol. Cerveja. Bom, né? A mulherada na cozinha fazendo vinagrete, e os camaradas todos juntos, naquele calor em volta da piscina, sem camisa, com o televisor na sombrinha só esperando o jogo começar. Os barbudos vão bebendo, rindo cada vez mais por cada vez menos, um brincando de baixar a calça do outro, neguinho gritando “Ó a lingüiça!”, enfim… uma viadagem geral. Daí começa o jogo. Entram VINTE E DOIS homens em campo e começam a correr atrás de UMA bola. Eis uma lógica que só pode fazer sentido aqui na Terra. Quem enfiar mais vezes a bola na rede ganha. E quando isso acontece, ah, aí é uma festa! Todos eles (mesmo suados) se abraçam felizes e encantados… Uma loucura!

Se não é gay você ligar a tv e passar noventa minutos do seu dia vendo uma pancada de homem se atracando, com a desculpa esfarrapada de que querem a bola, o que é então? Falta só o gramado virar uma piscina de lama.

Olhe para um programa de esportes e veja aquela multidão de homens girando as camisetas no ar como se estivessem sobre um boi raivoso. Aquele exército de torcedores apontando o  rojão pra cima e vendo quem tem o maior. Se abraçando em ondas da mais pura testosterona. E, dizem, são todos machos. Sei.

E quando o time perde? Meu deus do céu! Por alguma razão, o torcedor age como se o time pagasse suas contas e, no caso de perda, deixasse de pagar. Porque é uma tristeza tão grande. Uma angústia. Uma sensação de rebaixamento. Nem dormir direito o cabra dorme. Porque ele sabe que amanhã, no trabalho, vão dizer que o jogador dele pode até ter a perna mais grossa, mas quem chuta melhor?

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7 comentários sobre “O Futebol é Gay.

  1. sugestão: era legal se tivesse um hiperlink (tem?) pra clicar e ja salvar tudo como está em um aquivo só (desenho mais texto com endereço e dados (data, nome, etc)) pra nao ter q ficar copiando, colando e salvando salvando td isso numa pasta (essa parte é pq to sem word agora no meu comp). valeu

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  2. Nossa imagino o lugar q vc levou tua namorada para almoçar hauahuahauh (brincadeira…)

    Sempre tive essa mesma opinião, bando d viadim disfarçados e meus amigos gays tb sabem q nao sou provida de preconceitos… essa mesma opinião tenho qto aos black metals, já qse apanhei por isso mas firmaram ainda mais minha opinião. Os caras são uns armários q nao aceitam mulheres no grupo, ficam falando grosso e contando vantagens, isso sem falar das calças de couro apertadas né…

    Abraço Pedro…

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  3. Êêêê! Que bom que gostou da entrevista. Só tá faltando arrumar um emprego. Mas quem sabe um dia… Vi teu currículo, vc é polivalente. 🙂

    E quando ao seu texto, estive pensando dias atrás – se tivesse de dar um conselho a uma mulher, diria para que ela jamais colocasse um homem contra a parede: ou eu ou o futebol. É humanamente impossível e inviável substituir 22 homens. A disputa é desleal. Vocês tem o que nós não temos. Totalmente desleal.

    Bj.

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  4. E ainda digo mais…
    É gay, mas eu amo esses gays.
    Prefiro chorar por 11 homens gays que um dia já me fez feliz (com a certeza de que me fará muito mais) que mandam MUITO BEM no “fazer gol”, do que por 1, que se diz macho, mas não sabe “meter a bola na rede”.

    E tudo sempre, depende do ponto de vista…

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